Impactos do uso desordenado da tecnologia na dinâmica familiar

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Pesquisas revelam que quanto maior o tempo na internet, maiores são os prejuízos às relações familiares

Com a pandemia da covid-19, nota-se o aumento considerável do uso de aparelhos tecnológicos, que se tornaram cada vez mais precoces na infância. Tal fenômeno pode impactar na dinâmica familiar e no desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e comportamental, podendo dificultar a aprendizagem infantil.

Famílias que permitem o uso excessivo da tecnologia pelos pequenos, tendem a apresentar alterações nos aspectos cotidianos como: alimentação, sono, lazer e relacional.

As crianças que ficam vidradas nas telas cotidianamente, não permitem espaço entre a demanda e os estímulos que causam satisfação, consequentemente, nessa impossibilidade de administrar o tempo e a realidade à sua volta, ocorre desequilíbrio entre frustração e a tolerância necessária para desenvolver as habilidades socioemocionais, aquelas que são responsáveis por reconhecer e nomear cada emoção, além de reconhecer no outro, dificultando ainda o desenvolvimento sensorial e perceptivo, pois a  visão e audição se sobrepõem às demais, havendo um processamento deficitário e que poderá desenvolver problemas para integrar todas as sensações, trazendo prejuízo ao desenvolvimento de forma integral.

Um estudo conduzido pela Kaspersky Lab da iconKids & Youth, verificou que a maneira como conduzimos nossas vidas digitais em casa tem influência direta sobre nossas relações familiares. O estudo, feito com mais de 3.700 famílias em sete países, revelou que 20% dos pais e crianças afirmam que a internet e os dispositivos on-line podem causar tensões familiares. Outra pesquisa revelou que quanto maior o tempo na internet, maiores são os prejuízos às relações familiares (NAZIR; MAYA, 2019).

Portanto não podemos desconsiderar os benefícios que o avanço da tecnologia tem proporcionado para a humanidade, principalmente nesse período de distanciamento social em que a pandemia tem provocado. Contudo, o uso moderado e inteligente nos auxilia no dia a dia, mas não podemos ignorar as estatísticas que apontam o aumento da dependência tecnológica principalmente entre o público infanto-juvenil, comprometendo a saúde mental de toda uma geração.

Orientações e dicas

As telas só devem ser usadas por crianças após os dois anos de idade e no máximo uma hora por dia, na adolescência o uso pode ser de até três horas diárias.
Para conciliar o home Office e o home study com uso da tecnologia:

  • Ensine as crianças a serem independentes, delegando atividades domésticas;
  • Planeje atividades antecipadamente e proponha combinados;
  • Faça pequenas pausas no trabalho para dar atenção e afeto aos pequenos;
  • Elabore um quadro de rotina lúdico. Neste quadro tenha horários de brincar, estudar, ouvir música, de usar os dispositivos tecnológicos e de se divertirem juntos.

Não hesite em procurar ajuda profissional no caso de dúvida e necessidade.

Rita Rocha, psicóloga CRP 01/19406