terça-feira, abril 23, 2024
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ISTs merecem atenção redobrada no carnaval

Foto: Freepik/jcomp

Número de casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis aumenta após o período festivo. Urologista ressalta que o comportamento de risco da população é o principal motivo

Apesar da pandemia do novo coronavírus e de muitas cidades terem adiado o carnaval, muitos ainda festejam a data. Paralelo ao risco de disseminar e contrair a covid-19, existe também a preocupação com as Infecções Sexualmente Transmissíveis – ISTs. De acordo com o médico do Hospital Urológico de Brasília, Dr. Rodrigo Braz, após a época festiva, pelo comportamento de risco das pessoas, é notável um aumento no número de infecções sexuais e de consultas com urologistas. Todos os dias, cerca de um milhão de novos casos de ISTs são contabilizados no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O especialista explica que com o avanço da ciência e da pesquisa sobre o HIV, as pessoas que possuem o vírus causador da aids começaram a viver com a doença e a controlar a carga viral, o que diminuiu de forma significativa o número de mortes e, consequentemente, a preocupação com uso de camisinha nas relações sexuais. “Esse descuido, que ocorre também durante o carnaval, é o principal fator para o aumento significativo do número de ISTs na população brasileira”, aponta o urologista Dr. Rodrigo Braz.

Para se ter uma ideia desse aumento, segundo dados do Ministério da Saúde, no primeiro semestre de 2021, cerca de 64,3 mil casos de sífilis adquirida foram registrados no Brasil. O número é 16 vezes maior do que todo o ano de 2010, período em que foram diagnosticadas 3.936 pessoas com a doença. Dados do órgão também apontam que a taxa de detecção para sífilis adquirida passou de 24 a cada 100 mil habitantes em 2014 para 75,8 em 2018.

A sífilis está entre as infecções sexualmente transmissíveis mais comuns que podem ser disseminadas no período carnavalesco. Somam a ela a gonorreia, clamídia, herpes, além dos vírus HPV (papiloma humano) e HIV. A sífilis também está entre as mais graves, assim como o HPV, HIV e hepatites.

“O HIV está neste grupo pelo fato de ser uma doença que ainda não tem cura, apenas tratamento com coquetel de medicamentos anti-retrovirais. Já a Sífilis, quando não tratada, pode evoluir de uma situação simples para grave, com risco de acometimento neurológico. O HPV, que já existe vacina, em alguns casos, pode estar relacionado com câncer de colo uterino e de pênis. No caso da hepatite B, quando não tratada devidamente, pode evoluir para hepatite crônica e levar a um quadro de mau funcionamento dos rins. Para este caso também já existe vacina”, explica o Dr. Rodrigo Braz.

As ISTs são causadas por mais de 30 vírus e bactérias. Como o nome sugere, a principal forma de adquiri-las é por meio da relação sexual sem proteção, seja pelo sexo vaginal, anal ou oral. O uso da camisinha masculina ou feminina ainda é a melhor forma de evitar as infecções.

O médico sugere guardá-las em locais que não sofram atrito ou pressão excessiva, pois desta forma podem ocorrer danos em suas características, perdendo a capacidade de proteção. Segundo o urologista, essa dica é principalmente para os homens que costumam colocar preservativos na carteira. Já para as mulheres, que têm o hábito de colocar vários objetos na bolsa, é preciso ter cuidado para que os preservativos não fiquem próximos a objetos pontiagudos que possam perfurar e danificar a embalagem.

Sintomas e tratamento

As ISTs podem provocar sintomas muito diferentes e existem casos que eles nem aparecem. Mas, de uma forma geral, as alterações mais comuns de sífilis, gonorreia e outras ISTs são bolhas, feridas, verrugas ou caroços na região genital (pênis, vagina ou ânus).

Elas podem causar dor nas relações sexuais e ao urinar, coceira, além de secreções espessas que podem ter cheiro ruim e cores variadas que saem do órgão genital. “As pessoas devem procurar atendimento médico assim que notarem qualquer um desses sintomas ou até mesmo quando quiserem fazer avaliação ou prevenção de uma relação sexual não protegida”, enfatiza o urologista Dr. Rodrigo Braz.

Vale destacar que existem tratamentos para todas as ISTs, porém, como mencionado, não há cura para o HIV e Hepatite B. “Para essas doenças, temos medicações que controlam a enfermidade e evitam a progressão da doença”, enfatiza o especialista.

Diante do atual cenário, tanto em relação ao novo coronavírus como às ISTs, Dr. Rodrigo aconselha que as pessoas não vacinadas para a covid-19 se vacinem, que usem preservativos, diminuam o número de parceiros e que, em caso de uma eventual exposição em uma relação sexual desprotegida, que procurem atendimento médico para a realização de exames e orientações sobre a necessidade de terapia medicamentosa pós-exposição.