terça-feira, junho 25, 2024
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Nova moeda será apenas comercial, diz ministro

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Alvoroço causado pelo anúncio da criação de uma moeda comum entre Brasil e Argentina colocou Haddad em campo para afirmar que não haverá extinção do real

O início da gestão do novo governo federal tem sido conturbador para muitos. E aprimeira viagem oficial ao exterior do presidente Lula trouxe à tona tema que estava engavetado e que causou grande repercussão no país, a criação de uma moeda comum entre o Brasil e a Argentina.

Na segunda-feira (23), o governo brasileiro anunciou que as equipes econômicas dos dois países trabalharão em uma proposta que tem como objetivo criar uma moeda comum para que o Brasil e a Argentina possam usar nos fluxos comerciais e financeiros. De acordo com o Executivo a intenção da medida é reduzir custos operacionais e a dependência de moedas estrangeiras.

Durante reunião com o presidente da Argentina, Alberto Fernández, na Casa Rosada, Lula disse que a criação da nova moeda será feita “com muito debate e muitas reuniões”. “É o que vai acontecer”, disse ele. “Se dependesse se mim, a gente teria comércio exterior sempre nas moedas dos outros países, para que não precisássemos ficar dependendo do dólar”, argumentou o presidente.

Segundo Lula, muitos países têm dificuldade de adquirir dólar, e isso impede que acordos aconteçam. “Deus queira que nossos ministros e presidentes de bancos centrais tenham a inteligência, a competência e a sensatez necessária para que a gente dê um salto de qualidade nas nossas relações comerciais e financeiras”, completou o presidente.

Depois das declarações dadas por Lula na sede do governo argentino, em Buenos Aires, as especulações sobre os possíveis impactos da medida começaram a circular dando espaço para conjecturas em vários setores. A principal preocupação é a unificação da moeda dos dois países, assim como ocorreu com o euro.

Por conta da repercussão, ainda na segunda-feira (23), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se manifestou dizendo que “não existe projeto de moeda única entre o Brasil e a Argentina”. E o que há andamento é um estudo de viabilidade de uma moeda digital comum que seria usada apenas em trocas comerciais, para reduzir a dependência em relação ao dólar.

“Não se trata da ideia de uma moeda única. Trata-se de avançarmos nos instrumentos previstos e que não funcionaram a contento, nem pagamento em moeda local e nem os CCRs dão hoje uma garantia de que podemos avançar no comércio da maneira como pretendem os presidentes”, disse o ministro.

Execução

Diante do cenário atual especialistas têm apontado que implementação da proposta é inviável a curto prazo, pois exige que os dois países atendam algumas condições básicasfavoráveis, como níveis de inflação, taxas de juros, dívida pública e reservas internacionais, contudo, no momento essa realidade ainda é distante.

A Argentina por exemplo registra inflação beirando os 100%, desvalorizando a sua moeda ainda mais perante o dólar. A preocupação é que essa possível união comercial acabe impactando negativamente o Brasil. O país possui a maior economia na América Latina, já o vizinho a mais volátil.

Diante de tantos discursos o que fica é a ideia de que há a intenção de construir uma relação entre os dois países com o intuito de recuperar e fortalecer as relações comerciais e políticas entre os dois territórios, porém, ainda não possui um arcabouço bem definido de como isso se dará.