terça-feira, abril 23, 2024
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Conta de luz assusta brasilienses

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

País enfrenta grave crise hídrica que resultou no aumento de 52% na tarifa de energia elétrica. Consumidores fazem o que podem para economizar

Mais de um mês depois de entrar em vigor, a nova bandeira tarifária de energia elétrica (bandeira vermelha patamar 2) deixou os brasilienses assustados. O aumento de mais de 50% nas contas de luz fizeram a população mudar hábitos de consumo de energia e até mesmo reorganizar outros gastos para equilibrar as contas.

No final do mês de junho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou resolução que estabeleceu as faixas de acionamento e os adicionais das bandeiras tarifárias que passaram a valer em 1º de julho de 2021. O valor da bandeira tarifária patamar 2 referente a julho de 2021 ficou estabelecida em R$ 9,492 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. O que resultou em um reajuste de 52% sobre o valor que já vinha sendo cobrado desde junho (R$ 6,24).

A justificativa da Agência para a aplicação da tarifa foi a crise hídrica vivida pelo país, a pior desde 1931, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Ou seja, onerar os gastos para conscientizar o consumo. Além disso, a Aneel alega que o acionamento das termelétricas encarece muito a distribuição de energia no país e que elas estão em funcionamento máximo.

Na prática, o susto foi grande para o consumidor. A contabilista, Helen Cristina, relata que o aumento foi de R$ 40. “Eu trabalho o dia todo fora e minha conta dobrou. Não deixo mais nada ligado na tomada, só a geladeira”, afirma.

A também contabilista, Silvia Fernandes, conta que em sua residência a energia é trifásica e que seu esposo trabalha com maquinas pesadas, por isso decidiu agir antes de o impacto ser mais forte em sua conta de energia. “A conta de luz aqui era em torno de R$200, mas como ficamos sabendo da mudança de bandeira agimos antes de ser pegos de surpresa. Aqui nada fica na tomada mais. Microondas só é ligado na hora do uso, parelhos não ficam em stand-by, assim conseguimos até economizar esse mês”, aponta.

E a conta vai permanecer cara por um bom tempo. A Aneel informou que a crise hídrica permanece, com os principais reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) em níveis “consideravelmente baixos” para essa época do ano.

“Essa conjuntura sinaliza horizonte com reduzida capacidade de produção hidrelétrica e necessidade de acionamento máximo dos recursos termelétricos, pressionando os custos relacionados ao risco hidrológico (GSF) e o preço da energia no mercado de curto de prazo (PLD). O PLD e o GSF são as duas variáveis que determinam a cor da bandeira a ser acionada”, explicou a Aneel.

Para o empresário, Antônio Filho, as perspectivas acendem um alerta. “É preocupante o momento que vivemos. Estamos em plena pandemia, economia extremamente abalada e para completar uma crise hídrica dessa magnitude que afeta nosso bolso. Eu pagava em média R$160, este mês paguei R$249 na conta de luz. Isso porque desliguei tudo que podia da tomada deixando só o essencial. Talvez se tivesse havido um consumo consciente e políticas públicas mais efetivas no setor elétrico, não estaríamos vivendo essa situação”, declara.

Tarifa social

A Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) foi criada em 2002 e por meio dela são concedidos descontos para os consumidores enquadrados na Subclasse Residencial Baixa Renda. Isso significa que as famílias de baixa renda, inscritas no programa de Tarifa Social, pagam as bandeiras com os mesmos descontos que já têm nas tarifas, de 10% a 65%, dependendo da faixa de consumo.

Eles são beneficiados com a isenção do custeio da Conta de Desenvolvimento Energético – CDE e do custeio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica – PROINFA.

De acordo com a Neoenergia, são 27,3 mil as famílias inscritas na Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) do Distrito Federal. Quantidade de inscritos mais que duplicou desde que a empresa passou a gerir o sistema elétrico da capital.

Dicas de economia de energia:

Chuveiro elétrico – banhos mais curtos; temperatura morna no verão

Ar condicionado – fechar portas e janelas com ar condicionado; manter os filtros limpos; diminui tempo de utilização

Geladeira – abrir geladeira apenas o necessário; regular temperatura de acordo com o manual: nunca colocar alimentos quentes dentro da geladeira; não forrar as prateleiras; verificar borrachas de vedação

Iluminação – utilizar iluminação natural ou lâmpadas econômicas e apagar a luz ao sair de um cômodo; pintar o ambiente com cores claras

Ferro de passar – juntar roupas para passar de uma só vez; nunca deixe o ferro ligado enquanto faz outra coisa

Aparelhos em stand-by – retirar os aparelhos da tomada quando possível ou durante longas ausências