terça-feira, abril 23, 2024
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Cresce acidentes com animais peçonhentos no DF

Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Apenas no primeiro semestre de 2023, foram registrados quase 1.400 acidentes com escorpiões na capital

Fábio Caetano, morador de Taguatinga Norte conta que no mês de agosto encontrou cinco escorpiões em lugares distintos de sua casa. “O mês de agosto foi bem atípico na minha residência. Em apenas uma semana, encontramos cinco escorpiões em pontos distintos do terreno e até dentro de casa, isso porque mantemos a dedetização dentro dos prazos recomendados pelos profissionais. Só na garagem flagrei dois. Na área de ventilação dos fundos foram mais dois que vieram da rede de captação de águas pluviais. Dentro de casa, encontramos um bem pequeno, que é tão venenoso, ou mais que os grandes”, conta o morador.

Como prevenção, Fábio abriu chamado na Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde (DIVAL) e pediu a visita de técnicos que constataram não haver infestação de escorpiões na residência, mas que ressaltaram a necessidade de adotar medidas de segurança para evitar a entrada os animais peçonhentos dentro de casa e aumentar a atenção nas áreas externas. “Depois da visita, colocamos borracha nas portas de acesso à parte externa da casa e agora só ficamos com elas fechadas. Ralos de banheiros já ficavam fechados, agora até os ralos das pias dos banheiros, área de serviço e cozinha ficam isolados quando não estão sendo usados”, explica Caetano.

Crescimento de casos

De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, no primeiro semestre de 2023, os acidentes com animais peçonhentos notificados na capital cresceram 34%, na comparação com o mesmo período de 2022. Foram notificados, ao todo, 1.904 acidentes, contra 1.176 no ano anterior. A Região de Saúde Norte, especialmente Planaltina, foi a que apresentou o maior número de acidentes.

Ainda de acordo com dados da pasta, a média de notificações em 2022 foi de 45 por semana epidemiológica, enquanto 2023 registrou 73 no mesmo período. Dos 1.904 acidentes notificados com animais peçonhentos, 78,1% (1.398) representam ocorrências envolvendo escorpiões. “Os acidentes causados por esses animais são os que mais chamam a atenção, representando a grande maioria; o que preocupa é a tendência de crescimento identificada”, explica o biólogo da Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde (Dival) Israel Moreira.

Cuidados 

De acordo com o biólogo da Vigilância, para evitar os acidentes, é necessário um cuidado especial da população com os ambientes de trabalho e residencial. A atenção visa eliminar as condições favoráveis de acesso, abrigo e alimentação dos animais peçonhentos.

“Quando se elimina um desses componentes, é possível interferir na ocorrência de peçonhentos, reduzindo a exposição ao risco de picadas”, explica Israel. O especialista sugere manter os quintais livres de vegetação alta, entulhos e restos de materiais de construção, além de acondicionar o lixo corretamente. Além disso, é recomendável usar telas em ralos e janelas e vedar frestas e vãos.