sexta-feira, julho 19, 2024
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Praga de caracóis-gigantes põe população em alerta

Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

Proliferação de moluscos é problema antigo no DF. Parceria entre órgãos do governo e UnB tem estudado ações de combate ao animal

Moradores de várias regiões administrativas do Distrito Federal têm enfrentado problemas com a grande proliferação de caracóis-gigantes africanos. O molusco, conhecido cientificamente como Lissachatina fulica, é considerado exótico invasor e nocivo às espécies silvestres, ao ambiente, à agricultura e à saúde pública, segundo instrução normativa de 2006 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O caracol gigante chegou ao Brasil por criadores de escargot, um caramujo comestível muito apreciado na culinária, porém o sabor de Achatina fulica não agradou o paladar da população brasileira, levando ao descarte indevido do animal no meio ambiente.

Além disso, alguns indivíduos da espécie foram catalogados como portadores de parasitas capazes de trazer sérias complicações à saúde humana, por isso não é recomendada a ingestão desses moluscos, independentemente de sua forma de preparo.

Por conta dos prejuízos ambientais que o caracol-gigante pode causar, o Brasília Ambiental, a Universidade de Brasília (UnB) e Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival), da Secretaria de Saúde, têm estudado ações de combate ao animal e de conscientização da população.

“Estamos construindo um protocolo único sobre a questão da coleta e da destinação. Precisamos instruir a população de forma correta”, afirma o biólogo e analista ambiental do Brasília Ambiental, Thiago Silvestre.

Há registro da presença do animal em todas as regiões administrativas, mas o aparecimento dos bichos em Ceilândia se tornou um dos focos de trabalho do Núcleo de Vigilância Ambiental da cidade.

A chefe do núcleo, Queila Cristina Barbosa Mendes, diz que o órgão vai se reunir com a administração regional para debater uma ação específica e orientar a população sobre os riscos e em relação ao extermínio. A intenção é iniciá-la ainda este ano.

“Realmente, os caracóis africanos estão se proliferando muito rápido e sendo encontrados de maneira bem fácil. Queremos fazer uma ação para ensinar a população e evitar que eles continuem se proliferando da maneira que estão”, afirma.

Há uma série de desafios envolvendo os caracóis, desde as características do animal até a forma de extermínio. “Nosso maior desafio foi descobrir como iríamos aniquilá-los, já que o veneno é agressivo ao meio ambiente. Também há o fato de que eles já fazem parte do bioma”, avalia Queila.

Reprodução e riscos

Os moluscos se reproduzem de maneira veloz. Eles são hermafroditas e procriam a cada dois ou três meses com fecundação cruzada, podendo colocar até 400 ovos por postura. Segundo o Brasília Ambiental, no DF, os caracóis costumam se reproduzir principalmente de janeiro a março, quando o período chuvoso é mais intenso. Habitam áreas agrícolas, costeiras, pântanos, florestas, urbanas e zonas ribeirinhas.

Entre os riscos causados pelo animal está a transmissão de doenças provenientes de um parasita que se hospeda em caracóis: o Angiostrongylus cantonensis. São elas a meningite eosinofílica, uma inflamação que afeta as meninges, e a angiostrongilíase abdominal, uma inflamação intestinal aguda. Também são considerados uma praga agrícola, custando aos agricultores suas safras.

Extermínio

Os órgãos sugerem que a população faça o combate dos caracóis para evitar riscos e proliferação. Os animais e seus ovos devem ser recolhidos com as mãos protegidas e exterminados com água sanitária em um recipiente velho. As conchas precisam ser quebradas e depois enterradas na terra, com cal para evitar que elas sirvam de criadouros para o mosquito vetor das viroses dengue, febre amarela, febre Chikungunya e a febre Zika.

O descarte pode ser na coleta de lixo comum, desde que os caracóis e os ovos sejam armazenados em dois sacos plásticos e suas conchas sejam quebradas utilizando um martelo ou pisando em cima com calçado adequado (tênis ou botas).

Podem ser incinerados, desde que haja condições adequadas para tal finalidade.

Os bichos podem ser despejados em valas com pelo menos 80 cm de profundidade, longe de cisternas, poços artesianos ou de lençol freático. Colocar sempre que possível uma pá de cal virgem para impermeabilizar o solo e para não atrair outros animais, principalmente se uma grande quantidade for coletada, fechando a vala com terra.

Depois da manipulação, é importante retirar as luvas e lavar muito bem as mãos.

Com informações da Agência Brasília e Brasília Ambiental