domingo, junho 23, 2024
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Novo equipamento de fumacê em teste no DF

Foto: Divulgação SES-DF

Nesta terça-feira, agentes de saúde percorreram ruas da Estância Mestre d’Armas com novo equipamento. Ainda em fase de teste, máquina mais que triplica a capacidade de lançamento de produto que elimina as larvas do mosquito

Ao contrário do ano passado, o Distrito Federal tem convivido com a alta nos casos de dengue. Segundo o boletim epidemiológico divulgado no início deste este mês, foram notificados 12.584 casos suspeitos de dengue, dos quais 11.121 eram prováveis.

Se comparado com o mesmo período ano passado, o número de casos prováveis de dengue aumentou 348,1% em 2022, já que em 2021 foram registrados 2.348 casos prováveis da doença no DF.

Por isso, equipes da Secretaria de Saúde (SES) intensificaram os trabalhos de visitas e a passagem do carro do fumacê nas regiões com maior incidência de casos de dengue.

E com o propósito de reforçar o combate da proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, a SES começou nesta terça-feira (22) a testar um novo sistema de “fumacê” com maior potência. O local escolhido para iniciar os testes foi a Estância Mestre d’Armas, em Planaltina.

As principais diferenças entre o equipamento atualmente utilizado e o que está em fase de testes são a potência, a altura e a velocidade de cobertura. Segundo a SES, as maquinas atuais tem alcance de 30 m, já o novo equipamento supera os 100 m. 

Em relação a altura, a nova máquina lança o produto a 20m, o que facilita a passagem por cima dos muros mais altos.

Quanto a velocidade, os servidores responsáveis pelo teste ficaram surpresos. Segundo a secretaria, uma área de 25 hectares, com cerca de 500 imóveis, foi coberta em 45 minutos. Os agentes de Vigilância Ambiental, com uso de equipamentos individuais, precisam de três dias para fazer aplicação direta em área semelhante.

O diretor de Vigilância Ambiental, Jadir Filho, explicou que foi utilizado um larvicida biológico, produto inofensivo aos humanos, mas com potencial de eliminar as larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor de dengue, chikungunya e zika. O aparelho foi instalado em um trator porque, como está em desenvolvimento, ainda não há um veículo adaptado para recebê-lo.

Estudo

O subsecretário de Vigilância à Saúde, Divino Valero, ressaltou que a atividade realizada nesta terça faz parte do desenvolvimento do aparelho. “A equipe técnica da Secretaria de Saúde participa da avaliação de desempenho”, explicou. O Ministério da Saúde e a FioCruz são parceiros da iniciativa.

Para validar a nova técnica, ainda serão observados o tamanho das gotículas lançadas no ar e o alcance obtido. O estudo também deve incluir análise de mosquitos coletados e dados sobre a redução dos casos de dengue na região. “O Distrito Federal tem um corpo técnico qualificado, com pós-doutores, doutores e mestres que podem contribuir muito nessa pesquisa”, completou Divino.

Uma área semelhante e com dados epidemiológicos parecidos está sendo coberta por agentes de Vigilância Ambiental, que fazem a visita em cada imóvel da região. A comparação dos resultados vai ajudar a validar o novo equipamento.

Cronograma

A Secretaria de Saúde explica que o horário selecionado para realizar o teste na terça-feira, 5h, está em consonância com a técnica empregada pela SES para a aplicação do “fumacê”. A pasta ressalta que os carros passam nas localidades apontadas como áreas de infestação do Aedes aegypti, diariamente, entre as 4h e as 7h ou das 18h às 21h, quando há menos vento.

O subsecretário de Vigilância à Saúde enfatiza que o engajamento da população é fundamental para que as ações da SES tenham resultado. No caso da visita dos agentes, é fundamental receber as equipes e ajudar a identificar eventuais focos do mosquito.

No caso do “fumacê”, seja o modelo já em uso ou caso venha a ser adotado o equipamento testado, “é importante abrir portas e janelas para deixar o produto entrar dentro de casa”, recomenda Divino Valero. E, o mais importante: “A população deve manter as ações já conhecidas para evitar que criadouros do mosquito Aedes aegypti surjam dentro de casa”.

Entre as medidas que podem ser adotadas estão: evitar água parada em pequenos objetos, pneus, garrafas e vasos de plantas; realizar limpezas periódicas em caixas d’água e mantê-las sempre fechadas; vedar poços e cisternas; e descartar o lixo de forma adequada.

Com informações da SES-DF