domingo, junho 23, 2024
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Venda de arroz na mira do Procon

Foto: Divulgação / Procon-DF

Por conta das enchentes no RS, órgão acompanha de perto a variação de preços e a oferta do grão que é base da alimentação brasileira

Nas últimas semanas, os consumidores do Distrito Federal têm enfrentado um aumento significativo no preço do arroz. Esse aumento é atribuído, em grande parte, às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, um dos principais estados produtores do grão no Brasil, responsável por 70% da produção nacional.

As enchentes, ocorridas no início do mês de maio, afetaram drasticamente a produção de arroz, resultando em uma quebra de safra considerável. As lavouras inundadas e a consequente perda de colheitas geraram um impacto direto na oferta do produto no mercado. Com a justificativa de manter o equilíbrio no abastecimento da população, redes de supermercados estão limitando a quantidade de pacotes por clientes e aumentaram os preços do cereal, base da alimentação do brasileiro.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o preço do arroz chegou a acumular alta de até 40% no último mês em regiões do país. Aqui no Distrito Federal, o valor do pacote de cinco quilos de arroz subiu 8%.

Para a professora Claudia Caetano, o aumento no preço do arroz foi bem visível. “No início do mês de abril comprei um pacote de cinco quilos de arroz da marca que já estou habituada por pouco mais de R$ 30. Mas na semana passada, já vi o mesmo produto custando quase R$40 e com limite de 5 pacotes por cliente. Creio que seja consequência das enchentes no Rio Grande do Sul”, afirma.

Inspeção

Por conta da nova condição na oferta de arroz, o Procon-DF, órgão da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus), realizou pesquisa de preços para verificar os valores cobrados pelo saco de arroz branco de cinco quilos nos mercados do Distrito Federal. O objetivo foi verificar se há alguma irregularidade nos preços praticados e na distribuição.

Segundo o Procon, os fiscais de defesa do consumidor visitaram 94 estabelecimentos entre os dias 20 e 24 de maio, e levantaram os preços de mais de 50 marcas de saco de arroz branco de cinco quilos. Entre as marcas mais encontradas no comércio, o valor mais alto cobrado pelo item foi de R$ 54,99. Já o menor valor identificado pelos fiscais foi de R$ 26,89 – uma variação de mais de 100% no preço cobrado pelo produto.

O diretor-geral do órgão, Marcelo Nascimento afirma que: “Estamos atentos aos valores do arroz branco após as enchentes no sul do país. O arroz é item essencial da cesta básica e um aumento sem justa causa do preço do produto afetaria diretamente a população. Até o momento, o cenário está estável no Distrito Federal, com uma variação de preços dentro da normalidade. A nossa orientação é que o consumidor pesquise antes de fazer a compra”, alerta.

Um destaque trazido pelo Procon após a fiscalização foi a variação de preços do produto em uma marca específica. Um pacote de arroz branco de cinco quilos registrou uma variação de aproximadamente 45%, ou seja, o mesmo pacote de arroz variou entre R$ 28,79 a R$ 41,99.

Quanto a limitação na quantidade de produtos que podem ser adquiridos pelos consumidores, o Procon disse não ter verificado irregularidades. “No cenário atual, não vemos problema no limite do item para venda. Estamos em um momento de incertezas quanto à disponibilidade do arroz no comércio e, portanto, a medida é aceitável por enquanto”, afirma o diretor do órgão.